quinta-feira, 4 de maio de 2017

MilaResendes: A razoabilidade da felicidade



Para minha primeira coluna oficial aqui no Leia Gravataí, resolvi desnudar-me; e essa pergunta não cansa de ecoar em minha mente: enfim: ter razão ou ser feliz?
 
Cada um busca respostas para as suas reflexões internas; eu preciso reafirmar que busco minha felicidade, mesmo que a outros pareça não ter razão...
 
Afinal, felicidade é algo subjetivo, é meu, é íntimo... o que me faz feliz, a você pode causar risos, espanto...
 
Por exemplo, meu pai acha que preciso usar da minha razão para buscar a felicidade; na mente DELE, preciso buscar um emprego que me remunere bem, que me garanta estabilidade, que me "proteja"; no fundo ele se pergunta: por quê afinal estudei tanto para me formar e não busco colocação [ emprego ] na minha área? ...
 
Não tiro a razão dele, afinal, somos cada qual um oceano de possibilidades e por quês; mas são nesses momentos que paro, penso e pelo menos por enquanto, ainda me vem a cabeça a única resposta que traduz o que sinto: por que estou feliz!
 
Pode parecer simplista tentar convencer uma pessoa que estou feliz mesmo não tendo um gordo contra-cheque com meu nome a cada inicio de mês, mas é uma das tarefas mais difíceis que tento desempenhar. Poxa, ele é meu pai, o cara que me apoiou e continua apoiando, é o esteio da nossa família, um cara que até se aposentar trabalhou diariamente para o sustento da família, e que mesmo após a aposentadoria ainda trabalha porque quer, ainda hoje, prestes a completar 76 anos, dar o melhor para a sua família (!).
 
Mas preciso que ele ao menos saiba que a cada nascer do dia, estou feliz por acordar, ter ânimo para me arrumar, abrir a loja, dar oi para os nossos gatos, desempenhar as tarefas que me proponho: fazer um suco verde legal, esvaziar a caixa de areia dos gatos, fazer e sorver um bom chimarrão, atender aos possíveis clientes, organizar as prateleiras, rever a lista de compras, planejar o almoço, cozinhar, almoçar, receber doações de livros pro projeto, conversar com as pessoas, organizar os livros, contar as novidades no facebook, aqui no blogue, enfim, até o dia terminar, poder resolver se vou ou se fico, se faço ou se paro, se tento ou desisto, se rio ou se choro...
 
Ter o próprio negócio pode ser a razão para muitos, mas para mim, nesses 4 anos que completamos em fevereiro, é a felicidade. Infelizmente não rende monetariamente como o sistema capitalista exige, mas preenche em mim uma lacuna que teimo em chamar de lacuna da felicidade. Às pessoas que me acompanham a mais tempo, talvez elas só notem que estou sempre com as mesmas roupas batidas ou que não pinto as unhas, que deixei o cabelo ficar grizalho ou ainda que não acumulo mais tantos penduricalhos ( leia-se ai, inclusive livros... agora com essa mania de libertá-los!); mas eu garanto: eu choro vez em quando, eu me privo de fazer algumas coisas por falta de verba, eu salivo em frente a algumas lojas, mas EU ESTOU FELIZ!
 
Mas que bela apresentação da minha coluna! rsrsrsrs
 
Será assim, um lugar onde estarei compartilhando coisas minhas, coisas dos outros, e talvez até, coisas de vocês, se interagirem comigo. Sejam bem vindos e bora lá, ser feliz!


Para quem gostou do tema, deixo a dica de uma entrevista concedida pelo poeta Ferreira Gullar à Folha em 2010, simplesmente extraordinária:

"Eu não quero ter razão, quero ser feliz."

MilaResendes

Um comentário:

  1. Mila, bela inauguração por aqui! Nem sempre adianta termos razão... E salivar diante de vitrines ,mesmo não podendo comprar, desde que sejamos felizes, o que importa??? Gostei! bj,chica

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