sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Livro Tina Modotti, fotógrafa e revolucionária, Margaret Hooks






Em 1913, Tina Modotti deixou a Itália, sua terra natal, e mudou-se para São Francisco, nos EUA, tornando-se uma estrela do teatro italiano local antes de se casar com o poeta-pintor romântico Roubaix de I' Abrie Richey, o Robo.
Em 1920, já havia iniciado sua carreira de atriz em Hollywood e frequentava a vida boêmia de Los Angeles, envolvendo-se em um intenso relacionamento com o renomado fotógrafo americano Edward Weston.
Em uma viagem ao México em 1922 para os funerais do marido, conheceu os muralistas mexicanos e ficou fascinada com a renascença cultural naquele país. Cada vez mais insatisfeita com o mundo do cinema, convenceu Weston a ensinar-lhe fotografia e a mudar-se com ela para o México. As casas em que morou na Cidade do México tornaram-se conhecidos locais de encontros de artistas, escritores e radicais, onde Diego Rivera cortejou Frida Kahlo e exilados latino-americanos conspiraram a revolução.
Com a câmera voltada para o registro dos anos mais vibrantes da história do México, suas fotografias atingem uma síntese surpreendente entre forma artística e conteúdo social. Sua ligação com os muralistas mexicanos, inclusive um breve romance com Rivera, levou-a a envolver-se em política.
Em 1929, foi incriminada da morte de seu amante cubano, atingido por tiros ao caminhar ao seu lado numa rua da Cidade do México. Bode expiatório da repressão exercida pelo governo, foi difamada publicamente em um julgamento sensacionalista até ser inocentada.
Banida do México em 1930, foi para Berlim e depois para a União Soviética, onde trocou a fotografia pelo ativismo político, o que a colocou em contato com Sergei Eisenstein, Alexandra Kollontai, La Pasionaria, Ernest Hemingway e Robert Capa. Tina realizou perigosas missões para o Comintern na Europa fascista, tornou-se uma "apparatchik" nos primeiros anos do stalinismo e desempenhou importante papel na Guerra Civil Espanhola. Em 1939, voltou incógnita para o México, vindo a falecer três anos depois _ uma morte solitária e controversa.
Mulher de enorme coragem, tanto em situações ameaçadoras quanto no desafiante papel de mulher tradicional, a vida de Tina Modotti tornou-se um mito e uma lenda.
Baseado em anos de laboriosa pesquisa no México, na Europa e nos EUA, "Tina Madotti, fotógrafa e revolucionária" inclui um excelente material e é um grande passo para a desmistificação da vida de uma das mulheres mais fascinantes de uma era extraordinária.


Livro "Tina Modotti, fotógrafa e revolucionária" de Margaret Hooks
José Olympio Editora, 1993

Boas leituras!

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